Imagem ilustrativa de coque verde de petróleo (CVP) sendo manuseado em forno elétrico a arco submerso (SAF) para produção de ferroligas.

Uso de CVP (coque verde de petróleo) em fornos elétricos SAF – Desafios e soluções práticas

O coque verde de petróleo é uma alternativa viável para reduzir custos em fornos elétricos a arco submerso, mas exige ajustes técnicos específicos para manter produtividade e eficiência.


O que torna o CVP diferente dos demais redutores?

O coque verde de petróleo se diferencia do coque metalúrgico e do carvão vegetal por duas características principais:

  • Baixa reatividade – reage mais lentamente no processo de redução;

  • Elevada condutividade elétrica – conduz melhor a corrente elétrica.

Essas propriedades, embora vantajosas em alguns contextos, podem gerar impactos operacionais negativos quando não controladas.

Principais desafios do uso de CVP em fornos SAF

A combinação de baixa reatividade e alta condutividade elétrica tende a causar:

  • Posicionamento inadequado dos eletrodos – ficam mais próximos à superfície do forno, aumentando a perda de energia pelo topo;

  • Encurtamento dos eletrodos – reduz a eficiência da transferência de calor;

  • Dificuldade de penetração dos eletrodos – o que gera “esfriamento” do fundo do forno, comprometendo a produtividade.

Como consequência direta, observa-se queda na produtividade, aumento do consumo de energia e elevação dos custos de operação e manutenção.

Solução prática: ajuste da granulometria

A principal estratégia para viabilizar o uso do CVP em fornos SAF é o controle rigoroso da granulometria.

Enquanto o coque metalúrgico costuma ser utilizado na faixa de 6 x 20 mm ou 6 x 25 mm, o CVP deve ser aplicado em granulometrias menores, na ordem de 6 x 15 mm.

Essa redução de tamanho aumenta a área de superfície disponível para reação, o que:

  • Favorece a reatividade do CVP no forno;

  • Reduz o risco de acúmulo de material não reagido;

  • Melhora a distribuição da carga;

  • Contribui para a estabilidade operacional.

Conclusão: vale a pena usar CVP?

Sim. O coque verde de petróleo é uma alternativa técnica e economicamente viável, desde que sua aplicação seja precedida de um planejamento cuidadoso.

A chave do sucesso está no controle granulométrico (~6 x 15 mm). Esse ajuste é fundamental para mitigar os riscos operacionais e garantir:

  • Eficiência energética;

  • Qualidade do produto final;

  • Competitividade do processo produtivo.

Ao dominar o uso do CVP, o produtor ganha:

  • Flexibilidade para diversificar insumos (coque metalúrgico, CVP e carvão vegetal);

  • Ganho econômico ao escolher o melhor material conforme a cotação do momento.

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